Resiliência e gestão de pessoas em tempos de estresse

Autores: Mônica Martin e Sônia Santos

Final de tarde no terceiro andar e ela se prepara para a próxima, mas não última reunião do dia. Folheia o inseparável caderno de anotações procurando os dados sobre o assunto que a espera e, na medida em que passa pelas páginas, outros temas chamam sua atenção: a reunião para corte no orçamento de treinamento; a mudança na estrutura da área de Marketing; a discussão no comitê de avaliação de desempenho e os ajustes de quadro da unidade do Paraná para o próximo período. “Só estresse”, ela conclui. Procura na memória um tempo tranquilo em que a comunicação fluía; todos estavam comprometidos com os mesmos objetivos e os resultados eram motivo de comemoração. Resgata alguns flashes destes momentos e decide voltar à sua próxima reunião: um excelente coordenador que está sendo promovido para a gerência de uma área importante quer conversar com ela. Uma promoção oportuna e madura, porém, a reação do profissional foi dúbia: alegria pela notícia seguida de ansiedade e muita preocupação. “Mais estresse e agora por uma boa notícia!”.

Este relato fictício faz parte da rotina dos profissionais de Recursos Humanos e aponta a presença do estresse em momentos adversos e frente a uma boa ou esperada notícia. O estresse profissional que impulsiona para uma ação ou superação pode, em situações extremas, levar ao Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional acarretada por estado de tensão emocional e estresse crônico.

O cenário de crise, as incertezas decorrentes de mudanças e a pressão por resultados são alguns dos fatores que contribuem para a elevação do nível de estresse nas organizações e demandam uma nova postura dos profissionais envolvidos com a gestão de pessoas.

Mais que a situação em si, o que desencadeia o estresse é a percepção que a pessoa tem da situação. Tal percepção é baseada em seu sistema de crenças, ou seja, o significado que a pessoa atribui àquela percepção.  Questionar essas crenças é parte do processo de desenvolvimento. Mais ainda, a resiliência é comportamento e não traço de personalidade. Desta forma, pode ser mapeada, medida e desenvolvida.

Nas organizações uma área de Recursos Humanos disposta à inovação e criação de novos comportamentos tem como missão apoiar os profissionais nos processos de mudança. A implementação de uma metodologia pautada na Resiliência na gestão de Recursos Humanos pode favorecer os profissionais no desenvolvimento de comportamentos resilientes para lidarem com as situações de estresse e saírem fortalecidos dessa experiência.

Baseados nestes conceitos, e sabendo que pessoas que desenvolvem atitudes de maior flexibilidade são os que se adaptam mais rapidamente às circunstâncias e superam os desafios, o desenvolvimento de comportamentos resilientes pode ser uma prática da Gestão de Recursos Humanos nas organizações.

A Abordagem Resiliente contempla 08 áreas da vida essenciais para o enfrentamento do estresse: Autocontrole, Autoconfiança, Análise de Contexto, Conquistar e Manter Pessoas, Empatia, Leitura corporal, Otimismo para a Vida e Sentido de Vida. Destacamos 05 áreas como exemplo:

Autocontrole: desenvolver atitudes para administrar as emoções diante do estresse, discernir qual o comportamento adequado para a situação.

Autoconfiança: cultivar a convicção de ser capaz de solicitar, negociar, recorrer e utilizar os recursos que estão ao seu alcance e tomar decisões de modo a ser eficaz em suas ações.

Análise de contexto: ser capaz de identificar e perceber as causas, as relações e as implicações dos problemas em quaisquer situações e tomar decisões baseada nessa análise.

Conquistar e manter pessoas: ter amadurecido sua capacidade para se vincular às pessoas, formando redes de apoio e proteção para enfrentamento das demandas do dia-a-dia.

Empatia: comunicar-se com clareza, buscando entender o outro e se fazer entender buscando reciprocidade nas ações.

O treino para o desenvolvimento de comportamentos resilientes propõe ao profissional mapear as crenças atreladas a cada uma dessas áreas e poder ressignificar e potencializar as oportunidades de desenvolvimento de atitudes com maior flexibilidade no enfrentamento do estresse. Fortalecidos pela experiência, favorecer comportamentos de equilíbrio num mundo de incertezas e mudanças frequentes em todas as esferas da vida

Como pauta nas ações de Recursos Humanos, destacamos o investimento em Programas de Desenvolvimento Líderes Resilientes ou construção de Equipes Resilientes, assim como em ações de Qualidade de Vida sob um novo olhar, a Resiliência.

Pensando em estratégias de enfrentamento, baseadas no caso fictício anteriormente citado, o convite é fazer dos comportamentos resilientes uma realidade do dia-a-dia de Recursos Humanos, e essa jornada começa dentro de cada um de nós, profissionais comprometidos com a gestão de pessoas.

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